Ainda neste ano, a Organização das Nações Unidas (ONU) apresenta os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil (ODS), composto de 17 objetivos relacionados que abordam os desafios no quesito desenvolvimento enfrentados por pessoas no Brasil e no mundo. Esses objetivos abrangem questões essenciais como erradicação da pobreza, redução das desigualdades, educação de qualidade, crescimento econômico sustentável e combate às mudanças climáticas. A implementação dos ODS busca promover um futuro mais equitativo, inclusivo e sustentável, incentivando governos, empresas e sociedade civil a adotarem ações concretas para o bem-estar global.
No contexto do envelhecimento, o Objetivo 3 – Saúde e Bem-Estar busca garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos. Esse objetivo se torna ainda mais relevante diante do aumento da população idosa, exigindo investimentos em infraestrutura de saúde, capacitação de profissionais e desenvolvimento de políticas públicas voltadas à prevenção de doenças e à promoção do envelhecimento ativo. Além disso, medidas que incentivem a inclusão social, a acessibilidade e a autonomia dos idosos são fundamentais para assegurar que essa parcela da população tenha qualidade de vida e participe ativamente da sociedade (ONU, 2015).
O avanço desse envelhecimento populacional impõe desafios significativos para as políticas públicas, especialmente na área da saúde, previdência e assistência social. O aumento da população idosa demanda a ampliação de serviços de atenção especializada, bem como o desenvolvimento de estratégias voltadas à promoção do envelhecimento saudável e da qualidade de vida. Além disso, as transformações no perfil etário da sociedade podem impactar o mercado de trabalho e a economia, exigindo adaptações nas políticas de emprego, aposentadoria e bem-estar social para atender às novas demandas da população (CASTIGLIONI, 2006).
Nesse contexto de mudanças demográficas, torna-se essencial um novo olhar sobre o envelhecimento, considerando a compreensão da temporalidade. Esse tema é apresentado no Relatório de progresso sobre a Década do Envelhecimento Saudável das Nações Unidas (2021-2023), que aborda transformações significativas na forma de entender e tratar o avanço da idade. O documento menciona iniciativas como legislações voltadas à proteção de pessoas idosas, programas nacionais para promover cidades e comunidades amigas da pessoa idosa, além de políticas nacionais para avaliações abrangentes das necessidades de saúde e cuidados sociais. (OPAS, 2023) Com o passar do tempo e o desenvolvimento de novas tecnologias, a sociedade se transforma, influenciando também as características e demandas da população idosa.
A Capacidade Intrínseca (CI) tem sido amplamente estudada, no entanto, ainda há divergências quanto à sua construção para abranger todos os aspectos da saúde humana.
Diante dessa lacuna, este trabalho propõe uma abordagem relativa para a mensuração da CI, visando minimizar vieses, radicalidades e dicotomias. A metodologia adotada considera os cinco domínios da CI, ajustando-se às particularidades da população analisada de forma simultaneamente flexível e especializada.
Sendo assim, este trabalho propõe um modelo de índice adaptado a recortes sociodemográficos e econômicos, inspirado no Índice de Integridade Biótica. A metodologia desenvolvida busca avaliar a saúde das pessoas idosas em diferentes agrupamentos, como gênero, etnia e região, comparando-os com os chamados Indivíduos de Referência (IR), determinados por estatísticas como máximo, média e mediana. O uso do modelo desenvolvido resultou no Índice Relativo de Capacidade Intrínseca (IRCI), correspondente em um percentual do indivíduo analisado em relação ao IR. Ao final, foi analisada a relação entre os IRCIs e os resultados dos questionários das Habilidades de Funcionalidade, evidenciando que indivíduos com melhor desempenho nas Atividades Básicas da Vida Diária (ABVD) apresentaram maiores IRCIs. Além disso, observou-se uma correlação de Spearman positiva de 79,41% entre os IRCIs máximos e as Atividades Instrumentais da Vida Diária (AIVD), agrupadas pela mediana, com um baixo coeficiente de variabilidade (24,54%). Essa variabilidade foi ainda menor quando analisada por categoria de AIVD (Baixo, Médio e Alto), com coeficientes de 2,21%, 1,78% e 0,53%, respectivamente. Esses resultados reforçam a relação positiva entre maiores IRCIs e melhor desempenho nas habilidades funcionais.